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Archive for the ‘coisas de mim’ Category

Uma amiga querida talvez chamasse de caminhos do Universo. Essas linhas tortuosas por onde a gente anda a vida inteira pra chegar num determinado lugar, sabe? Ou o pensamento de que a gente passou por tanta coisa pra alcançar um determinado estado de espírito. Não importa como a gente chame, o fato é que, realmente, quando a gente olha pra trás, o presente acaba fazendo algum sentido.

Ultimamente tenho pensado muito sobre pessoas e momentos que me marcaram, especialmente os que me marcaram negativamente. Às vezes a gente fica se perguntando por quê determinadas coisas aconteceram ou por quê algumas pessoas nos decepcionam tanto. Não costumo acreditar em destino, em coisas escritas, mas acredito que a gente se redescobre e se reconstrói a partir de cada uma das nossas experiências. E à medida que ficamos mais calejados, aprendemos a identificar quem são as pessoas e coisas que realmente merecem nosso respeito e consideração.

De forma alguma esse post é triste. Na verdade, percebendo essas coisas ruins, percebemos também quem são as pessoas e coisas que nos fazem bem, felizes. Passamos a peneirar mais e mais e guardar perto quem a gente pode chamar de família e aquilo que contribui para o nosso bem estar. Envelhecer é uma forma de enxergar melhor.

E, conforme o tempo passa, o mundo dá muitas voltas. E hoje, talvez na minha fase mais tranquila e feliz das últimas décadas, agradeço todos os dias por essas voltas e pelas pessoas que tenho perto de mim. Pessoas que se afastaram por um tempo (tipo uns quinze anos!) e reapareceram, pessoas que entraram na minha vida e ficaram, pessoas que também passaram por caminhos tortuosos para hoje estarem perto de mim (quanta pretensão!), pessoas que puxam as minhas orelhas, que me põem pra cima, que são companheiras e em quem eu posso confiar, e que me proporcionam momentos suaves, tranquilos, alegres, importantes, marcantes e inesquecíveis. Pessoas que hoje são a minha grande família.

É bom a gente saber que nunca estará sozinho.

*

“É sempre bom lembrar / que um copo vazio está cheio de ar.” 

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Paul, 22 de maio de 2011.

Quando acabou “Let It Be”, estávamos com as mãos entrelaçadas. Ele olhou pra mim e sorriu. Aí eu tive certeza: felicidade. ♥

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Quando tocou “Live and let die”, ele me abraçou. Ele sabia que eu ia me emocionar e me deu um beijinho na cabeça. Aí eu tive certeza: companheirismo. ♥

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Quando tocou “I’ve Got a Feeling”, ele ficou sério. Olhou para o mané que estava doidão por perto e pegou na minha mão. Aí eu tive certeza: segurança. ♥

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Quando eu cantei “All My Loving”, desenhei um coração com as mãos e entreguei pra ele. Ele pegou com carinho e guardou junto ao dele. Aí eu tive certeza: amor. ♥

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Quando tocou “And I Love Her”, eu cantei pra ele. He gives me everything, and tenderly. Aí tive certeza: agora, não preciso de mais nada. ♥

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Blá blá blá

Ansiedade sempre foi o meu nome. Não me lembro de ser diferente desde a infância. Meus pais são ansiosos, eu não tinha como ser diferente. Mas a minha ansiedade, ao contrário da deles, sempre me sabotou. Acabou com a minha auto-estima (se alguém encontrar ela por aí, favor devolver), fez com que eu desacreditasse da minha capacidade intelectual por muitas e muitas vezes (tipo sempre) e ao longo do tempo fez com que eu perdesse a noção de o que era realmente preocupante e do que era uma bobeira. O Transtorno de Ansiedade Generalizada faz com a gente não durma direito, faz com que a gente crie problemas que não existem (e se desespera com eles). A gente exagera, catastrofiza, lê a mente de todo mundo (sempre imaginando, claro, que os outros estão pensando tudo de ruim sobre a gente), se acha o cocô do cavalo do bandido sempre, acha que ninguém gosta da gente e que Murphy vai estar sempre na cola, mesmo que tudo pareça estar dando certo. Elogio é algo que nosso cérebro não é capaz de processar. A gente se submete a tudo, não se impõe. Pisam na gente e a gente acha que é normal, afinal a gente não é bom o suficiente. Pra nada.

É claro que eu não fui 100% assim nos últimos 34 anos e 7 meses. Às vezes a gente tá melhor, às vezes a gente chega ao fundo do poço.

Desde o ano passado eu mergulhei no fundo do poço. E fui parar no consultório psiquiátrico por outra razão. Eu na verdade não tinha nenhuma noção de que estava no fundo do poço. Saí de lá, no entanto, com o diagnóstico de TAG, caixas de anti-depressivo e um encaminhamento pra terapia. Uma possível TDAH deixou de me preocupar, sério.

Comecei a fazer terapia cognitivo-comportamental em janeiro. Seis meses depois, eu sou outra pessoa. Quer dizer, eu sou eu de novo. Quando olho os posts do ano passado, me choco e às vezes não sei como consegui, no meio daquelas crises de ansiedade/pânico, chegar até onde cheguei, profissionalmente. Talvez porque visse isso como a minha salvação, um chance mínima de resgatar alguma auto-confiança.

Essa tal de TCC foi a melhor coisa que me aconteceu. É impressionante como a gente passa a vida enfiando coisas na cabeça e depois não sabe nem de onde veio. E mesmo quando a gente descobre de onde veio, não faz idéia de como é difícil mudar. Quanto mais velho a gente fica, mais teimoso, né? Mas acho que reconhecer a auto-sabotagem já é um bom começo. Também dei sorte: tio D. e tio A. são sensacionais. Certamente encontrar bons profissionais é fundamental. E, claro, a vontade de se livrar da nuvem negra, das palpitações sem fundamento, das noites de insônia. Porque o trabalho maior e mais difícil fica por conta da gente.

Tio A. disse há umas semanas, depois de ouvir mais um pouco sobre episódios da minha vida, que eu sou resiliente. Desde então, toda vez que eu acho que vou desmoronar, tento me lembrar disso. E aí penso: vai passar, vai passar. Não crio mais problemas pra mim onde não existe. Consegui passar a pensar neles de forma realista, e expulsei os monstros do armário. Não me irrito a toa com coisas pequenas. Se me irrito, não deixo que isso tire o meu bom humor.

Estou mais calma, mais tranquila, mais simples. Quero estar assim o tempo todo, o máximo que eu puder.

Só tenho que aprender a fazer como uma amiga, que todos os dias quando acorda, se olha no espelho e se chama de gostosa. rs

——–

DICAS DE LEITURA:

A mente vencendo o humor, de Dennis Greenberg. Além de falar sobre ansiedade, medo, culpa, depressão, explica um pouco da TCC e tem vários exercícios para identificar e minimizar distorções cognitivas. Muito bom!

O estresse está dentro de você, de Marilda Lipp. Um geralzão sobre o que nos causa estresse, desde a infância, e dicas de como diminuir os efeitos.

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Querido diário,

caramba, fiquei meses sem escrever. Também, aconteceu tanta coisa que eu nem tive tempo. No meu tempo livre, eu aproveitei pra dormir, claro. Você sabe, levo uma vida muito cansativa.

Nem sei por onde começar. Estou grande e Mamãe diz que eu estou cada vez mais linda. Adoro quando ela me diz isso e me agarra. Faço um charminho, finjo que não gosto, porque não posso deixar ela achar que sou louca por ela, né? Preciso deixar ela um pouco insegura.

Aconteceu uma coisa estranha. Na verdade, tem acontecido de vez em quando. Tem dias em que acordo me sentindo muito carente. Não consigo evitar. Fico dengosa, me esfrego em Papai e Mamãe, fico olhando a rua, dou umas miadinhas pra janela. Sinto uma vontade louca de arrebitar o bumbum. Isso dura uns dias e depois passa. Ouvi Mamãe dizer que em breve não vou mais sentir isso porque o médico vai dar jeito. Tomara, isso me deixa muito incomodada.

Uma outra coisa importante que aconteceu é que eu ganhei uma companhia, a Mila. Ela é uma pirralha desengonçada, mas eu gosto de brincar com ela. A gente corre, brinca de pique, sobe nos móveis, derruba coisas e depois dorme coladinha. Às vezes a gente fica de mal também, mas esquece rápido. No primeiro dia eu estranhei um pouco. Nunca tinha visto um gato daquela cor. Preta preta preta. Achei o cheiro meio estranho, eu era bem mais cheirosa, mas dei uns banhos nela e ela acabou ficando limpinha. Dividi minha cama e minha comida, e deixo ela usar o meu banheiro. Fiquei de mal com o meu pai, parece que ele só gosta dela agora. Mas não me importo, tô feliz porque não fico mais sozinha em casa o dia todo.

A Mila já cresceu bastante também e agora eu não preciso tomar tanto cuidado pra não machucar ela. Aliás, ela bate bem forte em mim. Já acertou meu olho duas vezes e eu fiquei com uma cara esquisita por uns dias.

Ela é mais agitada do que eu. Sobe em lugares em que eu não subo de jeito nenhum, faz uma bagunça danada, espalha tudo e reclaaaaaama. Eu fico só olhando, não quero tomar bronca. Mas ela é mais corajosa. Se assusta menos, não liga se cair água, gosta de brincar com vassoura. Mamãe diz que é porque eu sou de apartamento e ela é da rua, mas eu não sei o que isso quer dizer.

Vou pedir pra Mamãe tirar mais fotos da gente, pra vocês verem como a minha irmã cresceu e como eu estou linda. 🙂

Uma coisa triste é que parece que eu e a Mila não vamos morar juntas pra sempre e eu vou ter que morar com aquele irmão esquisito. Ele pula muito e emite uns sons estranhos. Mas parece legal. Minha mãe disse que vai arrumar outra irmã gatinha pra mim, mas acho que eu me acostumo com meu irmão também. Se ele gostar de brincar de bolinha, a gente deve se divertir muito juntos. Ele parece gostar de dormir também.

Bom, diário, prometo não ficar mais tanto tempo sem escrever, tá? Vou aproveitar alguma hora em que a Mila estiver dormindo e eu não estiver com muito sono por causa do cansaço.

Um beijo,

Mafaldinha.

Miu!

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Edição em 04 de janeiro de 2012: Dadas as mudanças radicais na minha vida, em mim, na minha cabeça, nos últimos anos, muita coisa nessa lista não faz mais sentido. Então, vamos cancelar tudo e começar tudo de novo!!!

A missão: Completar 101 metas previamente estabelecidas no período de 1001 dias.

Critérios: As tarefas precisam ser específicas, realistas, mensuráveis e exigir algum esforço da sua parte, mesmo que pequeno.

Mais sobre o projeto aqui.

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Minha lista:

Início: 15 de janeiro de 2010
Término: 12 de outubro de 2012

Última atualização: 26 de dezembro de 2010

Meta completa – 6%

Meta em andamento – 11%

Meta suspensa – 0,99%

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Corpo, mente, beleza

1. Ir à academia regularmente
2. Perder 6 kg
3. Ir ao dentista a cada 6 meses
4. Ir ao ginecologista a cada 6 meses
5. Ir ao psiquiatra
6. Fazer TCC
7. Fazer análise não-TCC
8. Fazer shiatsu/acupuntura a cada 6 meses, pelo menos
9. Recolocar piercing na orelha
10. Fazer tatuagem no pé
11. Fazer tatuagem no ombro
12. Fazer as unhas pelo menos uma vez por mês
13. Ir ao dermatologista
14. Ir à ortomolecular
15. Tomar menos refrigerante
16. Diminuir o consumo de cafeína
17. Passar filtro solar diariamente
18. Me dar um “one-day spa” por ano
19. Fazer ioga

Metas profissionais e educacionais

20. Submeter artigos do doutorado
21. Arrumar os arquivos no computador
22. Cadastrar referências no Endnote
23. Fazer curso de SI
24. Acabar curso de espanhol
25. Ler mais jornal (na internet)
26. Ter dois projetos de pesquisa aprovados
27. Publicar 4 artigos científicos
28. Aprender italiano

Metas culinário-gastronômicas

29. Fazer receitas do Mastering the Art of French Cooking (nem todas, claaaro)
30. Comprar panela WOK
31. Comprar livro Chef Profissional
32. Comprar multiprocessador com moedor de carne (na verdade herdei o da minha mãe, mas vale, né?)
33. Experimentar uma comida que nunca comi
34. Fazer 30 novas receitas

Artesanato

35. Fazer uma peça por final de semana para o Natal
36. Participar de bazares regularmente
37. Aprender a costurar roupas
38. Fazer um trabalho de crochê inteiro
39. Pintar peças de madeira acumuladas
40. Dar presentes de Natal feitos por mim
41. Comprar balancim pra forrar botões

Finanças e etc.

42. Manter conta bancária no azul
43. Guardar um real no cofrinho por dia
44. Juntar dinheiro todo mês, aconteça o que acontecer
45. Manter planilha de gastos em dia

Passeios, viagens, lazer

46. Ler um livro não-científico por mês
47. Conhecer uma praia nova no NE
48. Visitar Sarah
49. Ir a Sampa
50. Fazer uma viagem de carro relax
51. Visitar amigas no Sul
52. Ir ao cinema sozinha
53. Sair mais com as amigas
54. Fazer passeio ecológico (Patagônia, Galápagos etc.)
55. Visitar 10 cidades que eu não conheço
56. Fazer um piquenique (com cesta e toalha quadriculada)
57. Conhecer três novos destinos ecológicos no Brasil
58. Fazer passeios ecológicos/turísticos no Rio

Organização e prazer pessoal

59. Manter agenda semanal atualizada
60. Organizar escritório
61. Arrumar armário regularmente
62. Renovar carteira de motorista
63. Digitalizar documentos
64. Digitalizar fotos antigas
65. Enviar cartões de Natal pelo correio
66. Fazer nova lista de 101 coisas em setembro de 2012
67. Emoldurar poster
68. Imprimir fotos
69. Participar do Project 365
70. Ter mais um gato
71. Visitar mais meus avós
72. Voltar a tocar violão
73. Correr de Kart
74. Fazer lista das 101 coisas que me fazem feliz

Compras

75. Wii
76. iPhone
77. Carro
78. Câmera fotográfica digital profissional
79. Trocar óculos
80. Relógio
81. Calça jeans (boa)
82. DVD Mary Poppins comemorativo
83. Melissa
84. Tênis Adidas clássico
85. Maquiagem
86. Perfume
87. Roupas para o trabalho novo
88. Nintendo DSi
89. 5 All-Star
90. iPig
91. Bota de caminhada
92. Mochila de campo
93. Roupa de mato
94. Lomo

Desejos muito íntimos que não podem ser revelados

 

95. Desejo muito íntimo 1
96. Desejo muito íntimo 2
97. Desejo muito íntimo 3
98. Desejo muito íntimo 4
99. Desejo muito íntimo 5
100. Desejo muito íntimo 6
101. Desejo muito íntimo 7

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Em 2010, eu…


A cada ano que começa, temos em nossa frente um livro novo pra escrever, mas que já vem com algumas frases prontas, com capítulos que continuam iguais, coisas boas e ruins. Mas há sempre espaço para que possamos fazer algo novo. 🙂

Então, neste ano eu:

– vou curtir muito o emprego novo (sai nomeação, SAI!)
– vou começar a aprender a fazer comida francesa (mas aprender MESMO)
– vou cuidar do meu corpo (academia já!) e da minha mente (meditação, ioga, retiro espiritual, psiquiatra, qualquer coisa tá valendo! rs)
– vou ver mais minhas amigas (me cobrem, me cobrem)
– vou aprender a dizer não (todo mundo sabe fazer, por que não eu?)
– vou ler muito (mais)
– vou fazer muitas artes (de verdade)
– vou aprender (de alguma forma) a organizar meu tempo pra conseguir fazer tudo isso! rs (essa definitivamente é a meta mais difícil, considerando o caos que eu sou, hehehehehe)

De resto, o que está sendo bom, quero que continue. Mentira, quero que melhore. O que for ruim, que possa ser eliminado, modificado, transformado.

*****

Estou me sentindo muito muito muito cheia de energia nesse começo de ano. Provavelmente por causa dos dias que passamos tão perto da mata, tão perto do rio, meus habitats naturais (lembrei do meu sumido amigo M., que me chama de onça). [Definitivamente o mar não é a minha praia] Agradeço a MM por isso, afinal, a idéia foi dele, né? :-)))

Acho que tenho que visitar mais rios e matas e cachoeiras durante o ano. É isso que renova minhas energias, e não o “colocar-o-pé-no-mar” dos cariocas típicos. Fazer o quê, né?

*****

No dia da caminhada na mata (tá, eu mostro fotos depois, mas ainda falta muito pra organizar), eu fiquei pensando no quanto eu sou desastrada, no quanto eu tropeço, no quanto eu pareço uma pata andando. Menos na mata. Como me sinto em casa! Eu sou capaz de correr sem tropeçar num galhinho sequer, sem escorregar em nenhuma pedra, sem enconstar em nenhuma planta. Vai ver fui mesmo uma onça algum dia.

*****

Ainda bem que no emprego novo eu vou poder ir pra mata outra vez! 😀 E lá tem rio pacas! :D:D:D

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Querido diário,

 Minha vida mudou muito na última semana. Eu morava numa casa com outros iguais a mim. Era bom, eu tinha companhia. Mas meu irmão não deixava eu comer, isso era bem ruim. Todo mundo achava que eu tinha uma cara triste, mas era fome! Aí um dia eu estava quieta no meu canto e quando me dei conta, estava dentro de uma caixinha. Era bom porque era escurinho, mas era pequeno e – afe! – como balançava! De repente ficou claro e uma moça muito simpática e carinhosa me salvou daquela caixa. Mas, convenhamos, eu estava muito assustada.

(esta sou eu ainda meio assustada)

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Ela podia ser simpática e carinhosa apenas pra eu ficar tranquila antes de virar churrasco, né? Mas não, logo ganhei um lugar fofinho pra ficar e, principalmente, COMIDA! Nossa, como foi bom comer sozinha… Conheci também um moço bem legal (mas ele às vezes me assusta, e eu tenho que me vingar mordendo e arranhando. Mas parece que ele gosta… gente estranha!) Descobri que estava num lugar grande, cheio de coisas penduradas, cheiros e barulhos diferentes. Decidi ir explorar o lugar (com cuidado, claro):

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No dia seguinte eu já estava mais à vontade. Minha comida foi servida numas tigelinhas mais arrumadinhas, e eu ganhei uma caixa grande com areia dentro. Achei que era pra brincar. Fiz uma farra lá, joguei tudo pra fora. Mas achei mesmo que aquela caixa tinha um cheiro diferente, e confesso que não entendi direito porque a moça simpática insistia em me colocar lá dentro…

No segundo dia nesse lugar novo ficou meio chato. Na hora que eu acordei da minha soneca e estava cheia de energia pra brincar, me deixaram sozinha em casa. Que tédio. O melhor que eu podia fazer era dormir de novo, né?

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Quando eles chegaram, acordei e fui jantar. Depois me deu uma vontade louca de fazer número dois, mas eu não sabia onde. Aí fui procurar um lugar tranquilo (porque a gente precisa de privacidade pra essas coisas, né?) e quando eu estava no meio do processo a moça simpática me tirou de lá e me levou sabe pra onde? Praquela caixinha cheia de areia. Querido diário, na hora me deu vontade de fazer mais número dois e eu só saí da caixa depois que eu consegui enterrar todo meu cocô (ninguém precisa ficar vendo, né?). Sei que adorei. Achei bastante conveniente fazer lá. Eu enterro e ninguém vê. E eu acho que aquela caixa tem alguma magia também, porque no dia seguinte quando vou ao banheiro de novo, o cocô do dia anterior sumiu!! Outra coisa interessante é meu pote de comida: sempre que eu sinto fome, ele fica cheio. Esse lugar novo é incrível!

Ah, eu descobri que a moça simpática se chama “mamãe” e o moço legal que gosta de me assustar se chama “papai”. Eles são bem divertidos. Fazem uma caras e uma vozes engraçadas e me fazem uma cosquinha boa pra danar na barriga. Sem contar que são tão quentinhos pra dormir… fico até com vergonha porque quando eu tô muito confortável eu faço aquele barulhinho de motor, sabe? Não consigo controlar. Mas parece que eles gostam: quando eu faço o barulhinho eles me fazem mais carinho. Uma delícia. E eu aprendi a escalar o lugar onde eles dormem. Lá é bem quentinho pra dormir e eu fico meio brava quando eles me expulsam. Mio mesmo! Às vezes funciona e eles me deixam entrar, mas outras vezes eu acabo me conformando e vou pro meu quarto. Humpf.

A mamãe me comprou um negócio que parece um brinquedinho:

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Mas eu gosto mesmo é de umas coisas que eu achei na casa:

Mafalda

Nossa, tem tanta coisa legal pra brincar lá! E eu ainda ganhei um negócio bom de arranhar e subir, mas isso eu mostro depois pra você, Querido Diário.

Eu só sei que eu estou muito feliz. Mamãe e papai fazem quase tudo o que eu quero (mas daqui a pouco o resto eu consigo fazer sozinha), e eu até sinto saudade dessa gente esquisita. Às vezes até vou esperar eles perto da porta, e vale a pena, porque quando eles entram em casa, eu ganho muito carinho. Mamãe faz uma massagem nas minhas costas que eu adooooooooooro. Fico molinha. Prrrrr, bom demais! Dormir na barriga do papai é super gostoso.

Ainda tenho muita coisa pra desbravar aqui, mas umas coisas estão em lugares muito altos. Por isso eu tenho treinado bastante meus pulos. Minhas pernas estão mais compridas e mais fortes. Logo logo eu vou poder subir em alguns lugares e vou me divertir ainda mais. Espero que a mamãe e o papai achem isso bonitinho também, e façam vozes engraçadas.

Vida de gato aqui é muito muito muito boa.

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